Video Forte – Jovem morto pelo pai era anarquista e dizia não reconhecer ‘governo nenhum’

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via Massa news
Uma discussão familiar provocou, no final da tarde desta terça-feira (15/11), uma tragédia no Setor Aeroporto, em Goiânia. Após discutir com o filho de 20 anos, o engenheiro Alexandre José da Silva Neto, de 60 anos, atirou nele e em seguida contra a própria cabeça.

O assassinato seguido de suicídio, que aconteceu no cruzamento da Avenida República do Líbano esquina com a Rua 59 A, foi filmado pela moradora de um prédio próximo. Após estacionar o veículo, Alexandre José desceu do carro e foi conversar com o filho Guilherme da Silva Neto, de 20 anos, que estava sentado na calçada.

Após uma rápida discussão, o engenheiro abraçou o filho, atirou contra ele e em seguida na própria cabeça. O jovem morreu na hora. Alexandre José chegou a ser socorrido pelos Bombeiros, mas morreu logo após dar entrada no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo).

Calouro da Universidade Federal de Goiás (UFG), do câmpus de Goiânia, Guilherme Silva Neto era conhecido como “Guilherme Irish” e cursava o 2º semestre de Matemática. Era anarquista, mas antes de entrar na faculdade se autodeclarava “comunista” e simpatizava com o Partido Comunista Brasileiro (PCB). Entre os livros preferidos, estava o Manifesto do Partido Comunista, de Marx e Engels. Na escola, a disciplina favorita do jovem era Física.Nascido em 1996, Guilherme Silva Neto havia completado 20 anos há três meses. Na foto do perfil em uma rede social, Neto dizia não reconhecer “governo nenhum.” Ele apoiava a liberação da maconha e a legalização do aborto. O universitário participava de uma rede social em que internautas fazem perguntas e o usuário responde. Há um ano, ele foi questionado: “Você já foi chamado de provocador?”. E a resposta foi: “Todo o tempo.” Pouco depois do Dia dos Pais no ano passado, perguntaram ao estudante como havia sido a comemoração. “Bem b…”, disse ele.O estudante do curso de Matemática Thalison Brasileiro, de 22 anos, disse que “muitos sabiam” que a convivência de Neto com a família “estava muito abalada” com o engajamento do jovem nas ocupações e manifestações. Segundo Brasileiro, a vítima era um “rapaz digno e de bom caráter”, e “ativo politicamente”. “Tinha muita força de vontade, queria lutar por seu futuro como possível professor. Todos do curso e da UFG em geral ficamos muito tristes e chocados com o ocorrido”, afirmou o colega de curso.

O coordenador geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFG, Fabio de Oliveira Júnior, disse que conheceu Neto este ano em mobilizações e assembleias estudantis. Segundo o coordenador do DCE, o jovem era “muito participativo”, estava sempre presente nas reuniões e passava bastante tempo na faculdade. “Ele era muito engajado. Por isso, nunca pensamos que ele poderia sofrer com algum problema ou resistência desse tipo dentro de casa.”

Oliveira Júnior disse que a vítima se identificava como sendo anarquista, mas não defendia ideias ou ações radicais. “Ele não tinha um posicionamento político muito claro. Se dizia anarquista, mas não tinha uma vertente teórica específica”, explicou. Ele também afirmou que a vítima não era black bloc, até porque, ainda de acordo com Oliveira Júnior, as manifestações estudantis em Goiás nos últimos dois anos foram pacíficas.

Segundo o representante do DCE, mesmo se identificando como anarquista, o estudante de Matemática não restringia seu convívio a apenas um grupo e se dava bem com todos os estudantes. “Ele participou da ocupação da Reitoria e depois foi para outro câmpus ocupado. O grupo de anarquistas da universidade não participou da ocupação e ele foi um dos poucos que atuou do nosso lado. Ele era muito tranquilo e se dava bem com todo mundo”, disse.

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